Sinopse
A versão de Howard Pyle da lenda do Rei Artur e da Távola Redonda foi originalmente publicada em 1903. Fascinou os leitores de inúmeras gerações desde então, graças às maravilhosas ilustrações e à imaginação com que são narradas as mais famosas aventuras de cavalaria, magia e drama da Alta Idade Média nas Ilhas Britânicas. Desde o momento em que Artur arranca da bigorna a espada Excalibur, garantindo o seu direito ao trono, passando pela história do seu casamento com Guinevere, pela traição da irmã Morgana Le Fay e pelo extraordinário e trágico destino de Merlim, as aventuras do Rei Artur e dos seus cavaleiros ganham inusitada vida nas narrativas de Pyle.
Opinião
Regresso com mais uma leitura dum livro comprado na Feira do Livro de Lisboa do ano passado e que não estava nos planos da visita. O eleito é A História do Rei Artur e dos seus Cavaleiros, de Howard Pyle, com uma grande importância na revitalização das lendas arturianas no início do século XX e uma enorme relevância na literatura de fantasia e aventura, sem esquecer as suas ilustrações que muito contribuíram para popularizar estas histórias e estes personagens. Para começar, pode-se dizer que é uma introdução bem acessível às histórias de cavalaria que influenciou gerações posteriores de autores de fantasia e que consolidou o imaginário medieval como uma fonte inesgotável de inspiração para a literatura de cavalaria e fantasia.
Howard Pyle é uma estreia na minha vida como leitora e posso já assegurar que foi bem agradável descobrir o seu trabalho. Estamos perante um famoso escritor e ilustrador, nascido em 1853, nos Estados Unidos. É conhecido pelo seu talento para criar histórias repletas de aventura, magia e heroísmo e é considerado um dos principais responsáveis por revitalizar as histórias medievais e arturianas na literatura americana, tendo influenciado muitas das versões cinematográficas destas figuras que conhecemos. Este livro foi publicado em 1903, num período marcado pelo interesse crescente pela literatura de fantasia, pela mitologia e pelas histórias medievais na cultura ocidental. O contexto literário deste período também foi influenciado pelo movimento do Nacionalismo e do interesse pela cultura popular, o que favoreceu a divulgação de histórias de cavalaria e mitos tradicionais.
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É inegável a relevância da história do Rei Artur e dos Cavaleiros da Távola Redonda na cultura popular, consolidando-se como um símbolo universal de coragem, honra e nobreza. Ao longo dos séculos, estas lendas foram reinterpretadas em diferentes meios, incluindo a literatura, o teatro, o cinema e a televisão, influenciando inúmeras obras e gerando uma rica tradição de narrativas sobre a busca pelo ideal de justiça e bravura. A figura do Rei Artur, junto com personagens como Merlin, Guinevere e os cavaleiros, transcende épocas e culturas, tornando-se um ícone que representa a esperança dum reino justo e a eterna luta pelo bem. Este perpetuação demonstra bem a força destas histórias e garante a sua relevância na cultura popular até aos dias de hoje. O livro de Pyle apresenta uma narrativa épica que retrata as aventuras, valores e dilemas do lendário rei Artur e dos seus fiéis cavaleiros. A obra inicia com o jovem Artur, a sua ascensão ao trono e os desafios enfrentados para consolidar o seu reinado.
"Entretanto, Sir Myles acabou por falecer devido aos ferimentos que tinha, pois acontece frequentemente uns serem atingidos pelo infortúnio e pela morte, enquanto outros riem e cantam de esperança e alegria, como se as coisas tristes como a dor e a morte nunca pudessem existir no mundo em que vivem."
Pyle reconstrói o universo da lenda arturiana com um tom de aventura e moralidade, enfatizando a importância de virtudes como a coragem, a justiça e a fidelidade, enquanto entrelaça elementos mágicos e históricos que enriquecem a narrativa e consolidam o legado do rei e dos seus cavaleiros como símbolos de nobreza e virtude. Na trama em apreço, destaco, como momentos marcantes, o nascimento do rei Artur, envolto em mistério e magia e que marca o início duma era de esperança e de justiça, e a formação da Távola Redonda, que simboliza a igualdade e a camaradagem entre os cavaleiros, enquanto as suas aventuras, batalhas e provas de coragem exemplificam os valores da honra, da lealdade e da bravura. Na narrativa, a aventura é evidenciada nas jornadas épicas dos cavaleiros em busca de honra, coragem e desafios que testam os seus limites, enquanto a magia aparece através de elementos místicos que reforçam a ideia dum mundo onde o fantástico e o real coexistem.
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O Rei Artur é aqui retratado como um líder exemplar, cuja autoridade é baseada na justiça, na sabedoria e na virtude. A sua legitimidade é conquistada não só por nascimento, mas também pelo seu carácter íntegro e pela capacidade de tomar decisões justas em momentos de crise. Artur é símbolo de coragem e equidade, sempre procurando o bem comum e demonstrando qualidade dum rei ideal, como humildade, bravura e compaixão. A sua liderança inspira lealdade e respeito entre os seus cavaleiros, consolidando o seu papel de rei justo e virtuoso, cuja conduta serve de exemplo para todos que fazem parte da sua corte e do seu reino. Mas além do icónico protagonista, o autor apresenta uma rica paleta de personagens que ilustram diferentes aspectos do espírito cavalheiresco. Entre os principais, destacam-se Sir Gawaine e Sir Pellias, conhecidos pela sua lealdade, coragem e sentido de justiça, que simbolizam a perfeição do cavaleiro ideal. Claro que também não podemos esquecer os vilões, como Morgana e Vivian, que representam a ameaça constante à paz e à harmonia do reino e que simbolizam o mal e a traição que desafiam a justiça do rei Artur.
"Senhor, porque tendes tanta pressa? Havereis de saber que quando os lugares da Távola Redonda estiverem todos preenchidos, a vossa glória terá atingido o zénite e, a partir desse dia, começará a declinar."
São temas fundamentais, que permeiam toda a narrativa, o cavalheirismo, a honra, a bravura e a lealdade. Estas virtudes são apresentadas como os pilares do carácter dos cavaleiros da Távola Redonda, refletindo ideais elevados de coragem, integridade e dedicação ao bem comum. A obra enfatiza a importância da coragem, da justiça, da lealdade e do dever, mostrando que os cavaleiros devem agir com honra e integridade nas suas missões e aventuras. Também a magia e o destino desempenham papéis fundamentais na construção da trama e na formação dos personagens. No que diz respeito ao estilo de escrita de Howard Pyle, ele é envolvente, com uma narrativa rica em detalhes descritivos que nos transportam para o mundo medieval de Camelot. O seu uso de linguagem evocativa e imagens fortes contribui para criar uma atmosfera de aventura e heroísmo, ao mesmo tempo que humaniza os seus personagens, revelando as suas emoções e dilemas. Pyle também demonstra uma habilidade notável para combinar elementos tradicionais do folclore com uma abordagem narrativa acessível, que tornaram as histórias do Rei Artur emocionantes, memoráveis e inspiradoras.
Nesta leitura, o que mais chamou a minha atenção foi a maneira envolvente como o autor recria o universo da lenda arturiana, trazendo à tona personagens marcantes e a própria figura do rei Artur. A narrativa combina elementos de aventura, magia e honra, o que cria uma atmosfera mágica que nos prende do início ao fim. Assim, A História do Rei Artur e dos seus Cavaleiros é excelente para jovens leitores que se vão divertir com estas aventuras, mas também para adultos que são interessados pelas lendas e histórias de cavalaria e que se vão deliciar com as origens de Artur, a sua ascensão ao trono através da espada na pedra e os valores de coragem, lealdade e justiça que norteiam os seus cavaleiros. Mas agora quero muito saber a tua opinião! Já leste esta obra de Howard Pyle? Qual a tua personagem favorita? Quais valores consideras mais importantes na formação dum verdadeiro cavaleiro? Conta-me tudo nos comentários!

















